Não há nada tão desunido quanto uma família que precisa simular união para herdar um espólio político. O clã Bolsonaro, que tenta vender a imagem de um bloco monolítico rumo a 2026, vive um dia a dia de cotoveladas. A última movimentação de Michelle Bolsonaro é um exemplo primoroso de política feita com o fígado.
Ao enaltecer o vídeo de Nikolas Ferreira – que se vende como o “vencedor” da queda de braço com Alcolumbre pela pauta da anistia -, Michelle não apenas elogia um aliado. Ela espeta os enteados. Para Flávio, Eduardo e Carlos, ver a madrasta inflar a bola do deputado mineiro é o recado de que a “família real” perdeu o monopólio do carisma e da eficácia digital.
Nikolas tornou-se a ferramenta perfeita de Michelle. Ao dar palco ao “garoto de ouro” de Minas, ela expõe o amadorismo de Flávio, que parece mais ocupado com gafes do que com resultados. A ex-primeira-dama joga o seu próprio jogo, enquanto os filhos do “capitão” assistem, entre a irritação e a paralisia, ao crescimento de quem não carrega o sobrenome, mas já domina o método.

