4 abril, 2026
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Casagrande estreia solo teatral no Festival de Curitiba – 04/04/2026 – Ilustrada

Walter Casagrande Júnior, aos 62 anos, escolheu “Sujeito de Sorte”, uma das canções de Belchior, para abrir e fechar a peça-palestra “Na Marca do Pênalti”, que teve estreia nacional nesta sexta-feira (3) no Festival de Curitiba.

“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”, ele repetiu para o público que lotou o Teatro Guaíra, conhecido como o “Maracanã dos teatros”, com os seus 2.800 lugares.

Durante uma hora e meia, o ex-jogador falou sobre a trajetória no futebol, lembrou o drama da dependência química e chorou ao contar que foi para o amigo Sócrates que fez sua primeira declaração de amor, em um encontro no Arena SporTV. “Pô, eu te amo”, disse.

“Não havia falado isso para nenhuma namorada nem para a minha ex-mulher. Eu guardava, não tinha forças, não tinha estrutura para falar o que sentia”, afirma. Daquele dia em diante, decidiu não esconder mais as emoções, uma estratégia que fez parte de sua recuperação após um ano internado em uma clínica para dependentes químicos.

Sozinho no palco, usando calça jeans, camiseta preta, tênis e óculos escuros, Casagrande pôs em prática a decisão. Ele emendou uma história na outra, quase sem pausa, guiado por fotos e vídeos que aparecem em um telão.

A proximidade com as artes cênicas está relacionada ao tratamento, iniciado em 2007, após um acidente de carro na Lapa, zona oeste de São Paulo. Ele se tornou um frequentador assíduo dos teatros e cinemas por orientação da equipe médica. Conta que trocou o prazer falso do consumo de drogas pela arte.

O salto da plateia para o palco aconteceu a partir de um convite do diretor Fernando Philbert. Os dois conversaram após um espetáculo e Philbert teve a intuição de que o ex-jogador ficaria à vontade ao contar sua trajetória ao vivo.

“Acredito que o teatro é que escolhe tudo, sou dessa linha”, diz o diretor. “É como o [Augusto] Boal dizia, todos nós somos atores. Todos escolhemos a nossa roupa, fazemos o nosso texto.”

Sem roteiro, texto decorado ou ensaios, Casagrande conta com a memória. Foi exigência dele criar o monólogo dessa forma, após passar várias semanas analisando a proposta.

“Quem sobe ao palco é o Waltinho, da minha família, da minha mãe. Depois o Casagrande, que foi jogador de futebol. E o Casão, que é para todo mundo. Não tem personagem. Eu nunca fui um personagem, nunca atuei, nem quando jogava nem como comentarista”, disse em conversa com jornalistas antes da estreia.

As histórias são boas, mas aceitar as orientações de uma direção faria bem ao solo. Na estreia, o ex-jogador ficou o tempo todo no canto esquerdo do palco, quase sem se movimentar. O espetáculo não tem cenário, iluminação especial e usou pouco os recursos da sonoplastia. Além disso, um roteiro poderia ajudar na organização das narrativas, que chegaram ao público um pouco embaralhadas.

Uma delas, protagonizada por Rita Lee, foi lembrada por ele quando o espetáculo já havia sido encerrado. O ex-jogador viu imagens no telão e retomou a conversa com a plateia para contar sobre a camisa do Corinthians que a cantora usou depois de um show no Ibirapuera.

Casagrande havia prometido uma camisa de número nove para a artista, mas esqueceu de levar o presente. Viu um torcedor no meio do público usando uma delas, pediu para o homem cedê-la e entregou para Rita, que posou sorridente com o uniforme.

Com a ex-namorada Baby do Brasil, o caso lembrado está relacionado a um conselho dado pela cantora. “Casão, tem que fazer como eu. Decorei a onda”, ela disse, em um estímulo para o ex-atleta “brisar” sem precisar usar drogas.

“Foi um conselho que caiu do céu”, afirma o ex-jogador durante a peça, divertindo a plateia.

Ele também falou sobre as perseguições sofridas na época da Democracia Corinthiana, citou a morte da irmã, Zilda, aos 23 anos, como o fato disparador de sua dependência química e criticou as “dancinhas” dos jogadores que também atuam como influenciadores nas redes sociais.

Em 1982, ano com muita repressão, o então jovem centroavante foi revistado várias vezes por policiais. Em uma delas, foi deixado sem roupas com amigos na marginal Tietê. Havia surgido outra ocorrência e a Polícia Militar largou o grupo sem concluir a revista. Assustado, Casagrande perguntou aos companheiros se deveriam esperar a volta dos agentes. A resposta foi não e todos saíram às pressas.

Passagens da vida ao lado de nomes como Gonzaguinha, Luiz Gonzaga e Fagner também foram relembradas.

Exibidos no telão, gols marcantes da trajetória futebolística foram aplaudidos por fãs que estavam na plateia. Alguns usavam camisas do Corinthians ou de outros times. Jovens atletas também acompanharam as peripécias do ex-jogador.

Em Curitiba, Casagrande ouviu agradecimentos, declarações emocionadas, foi chamado de amigo imaginário e deu autógrafos. Antônio Pitanga e Camila Pitanga, artistas convidados do festival, assistiram à estreia no teatro Guaíra. “Quero ser seu companheiro de palco”, disse o ator veterano.

A previsão é que “Na Marca do Pênalti” chegue ao Sesc Pompeia, na capital paulista, em maio. Depois, o comentarista fará uma pausa para acompanhar a Copa do Mundo e deve voltar ao teatro em seguida.

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