As eleições parlamentares da Hungria, que serão realizadas neste domingo (12/4), prometem ser o maior desafio para o primeiro-ministro Viktor Orbán em seus 16 anos à frente do governo. O partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, aparece à frente do governista Fidesz nas pesquisas, abrindo a possibilidade de uma derrota inédita desde 2010.
Pela primeira vez em mais de uma década, há uma chance real de alternância de poder no país europeu de cerca de 10 milhões de habitantes, em um pleito considerado decisivo para o futuro político da Hungria dentro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Orbán sob pressão e disputa por modelo de país
No poder desde 2010, Orbán consolidou um governo descrito por críticos como uma “democracia iliberal”, com forte centralização institucional, influência sobre a mídia e aproximação com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin.
O primeiro-ministro, que também é aliado político do movimento conservador internacional, enfrenta desgaste após anos de estagnação econômica, aumento do custo de vida e críticas sobre o fortalecimento de redes empresariais próximas ao governo.
A campanha eleitoral opõe dois projetos distintos: de um lado, o Fidesz defende estabilidade e soberania nacional em meio às tensões globais; do outro, o Tisza promete reformas institucionais, combate à corrupção e maior alinhamento com a União Europeia e a Otan.
Oposição cresce com Péter Magyar
À frente do Tisza, ele capitaliza a insatisfação com a economia e com denúncias de corrupção, além de defender o desbloqueio de fundos europeus e reformas no sistema de saúde.
“Esta eleição diz respeito ao futuro da Hungria”, afirmou Magyar em comício recente, ao defender uma guinada institucional no país.
Às vésperas da votação, Orbán acusou adversários de tentarem gerar “caos” e de conspirarem com serviços de inteligência estrangeiros para influenciar o resultado eleitoral. O governo também fala em possíveis tentativas de fraude e protestos organizados.
Sistema eleitoral e incertezas
- A imprensa internacional aponta que o sistema eleitoral húngaro, com distritos uninominais e votos compensatórios, pode favorecer o partido governista mesmo em um cenário de derrota no voto popular.
- Eleitores húngaros no exterior e regras de representação de minorias também podem influenciar o resultado final.
- Além disso, especialistas alertam para possíveis disputas jurídicas após a votação, o que poderia atrasar a certificação dos resultados em um cenário de vitória apertada da oposição.
- A eleição é acompanhada de perto pela União Europeia, que mantém tensões com o governo Orbán devido a acusações de enfraquecimento do Estado de direito e congelamento de bilhões em fundos para Budapeste.
- O resultado também é visto como um teste para o avanço de modelos nacionalistas na Europa e a relação com a política global.
Reflexo no Brasil
No Brasil, a eleição na Hungria é acompanhada com cautela. Dentro do governo brasileiro, autoridades avaliam que o resultado pode indicar a força da influência dos Estados Unidos sobre o pleito de outros países.
Nessa semana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou a Budapeste para endossar o apoio à candidatura de Viktor Orban.
O movimento é visto como teste, já que o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não descarta a possibilidade de interferência dos EUA sobre as eleições no Brasil, tendo em vista o histórico de ações como o tarifaço e a aplicação de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e membros do governo.
Nesse sentido, o Executivo tem buscado “vacinas” para prevenir a ofensiva norte-americana sobre o pleito. Uma das medidas que corroboram com essa estratégia foi divulgada nessa sexta-feira (10/4), com o anúncio de parceria entre a Receita Federal a agência de fronteira dos Estados Unidos para combater o crime transnacional.
Cenário decisivo
Com Orbán enfrentando o maior desafio político desde que chegou ao poder, a eleição deste domingo é tratada como um divisor de águas.
O desfecho da votação pode redefinir não apenas o futuro do governo húngaro, mas também os rumos da relação do país com a União Europeia e o equilíbrio político no continente.


