Depois de nomes como a artista Tarsila do Amaral, o maestro Tom Jobim e a cantora Clara Nunes, chega a hora de outro brasileiro renomado ter sua história retratada em palcos nacionais. A figura da vez é Gilberto Gil, cantor que, poucos meses depois do fim de “Tempo Rei“, turnê de despedida cuja última apresentação acontecerá em março, em São Paulo, verá a sua trajetória ocupar o Teatro Santander, a partir de agosto.
Também na capital paulista, e sob direção de Miguel Falabella, “Gil – Andar com Fé” é a primeiro biografia musical a ser dedicada ao músico baiano, que marcou a MPB e se estabeleceu, junto de Caetano Veloso, enquanto expoente do movimento tropicalista. A ideia é que a peça reúna trechos da infância do artista, a sua passagem pelo exílio, quando a ditadura militar o obrigou a se refugiar em Londres, na Inglaterra, a consolidação de sua carreira e, até mesmo, vislumbres de um futuro que deve contemplar todo o Brasil.
Afinal de contas, o espetáculo não será apresentado de forma linear, e o personagem Tempo-Rei, espécie de narrador que ultrapassa barreiras temporais, dará conta de embaralhar as homenagens a Gil de uma maneira que faça a plateia “saltar da cadeira e se emocionar”.
“Estamos quebrando a cabeça para fazer com que a peça seja a mais original possível”, afirma Falabella, reconhecido pela leveza com a qual desenvolve os personagens de seus projetos. Ele diz que os musicais biográficos —e que, já no começo de março, vão também contemplar Gal Costa— têm demonstrado sinais de esgotamento, voltados quase exclusivamente a abordar momentos-chave, já amplamente conhecidos, e distantes da busca por abordagens que inovem a interação com o público.
“Sinto que o ‘musical Wikipédia’ está um pouco esgotado. Mas, é perfeitamente comum que isso aconteça, e dificilmente esses espetáculos deixarão de ser produzidos. Afinal, os custos que permitem a produção e a garantia de sucesso com musicais são enormes, então é natural que pessoas sigam atrás de fórmulas.”
Aqui, entretanto, conforme promete o texto de divulgação, o objetivo é que cada canção introduza uma nova atmosfera aos espectadores, “não para que possam lembrar, mas para que possam sentir.” Enquanto aguarda o texto do dramaturgo Newton Moreno chegar em suas mãos, Falabella garante que as reuniões de equipe têm sido absolutamente voltadas a garantir que “o gênio da música” seja muito bem retratado.
“Tenho me sentido muito inspirado pela geração brilhante da qual Gil faz parte”, adiciona Falabella. “Venho pensando muito na estética de movimentos que definiram o final da década de 1960 [quando se destacou o Tropicalismo, por exemplo] e os anos 1970, mas ainda há muito para buscar. É a melhor parte do teatro!”
Entre buscas importantes para “Andar com Fé” está o elenco, ainda não definido. As audições acontecerão de 9 a 13 de março, mas as vendas já estão abertas desde janeiro. Os que comprarem deverão se deparar, em agosto, fora a canção-título, com músicas de sucesso como “Aquele Abraço“, “Drão”, “Domingo no Parque” e “Se Eu Quiser Falar com Deus”, além de personagens como Caetano, Gal e Maria Bethânia.
A peça ainda conta com direção associada de Bárbara Guerra e terá a sua estreia no dia 20 de agosto.

