4 março, 2026
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IníciosaudeHomens podem envelhecer mais rápido por substâncias tóxicas na pele

Homens podem envelhecer mais rápido por substâncias tóxicas na pele

As substâncias químicas “eternas” conhecidas como PFAS parecem estar envelhecendo os homens mais rapidamente durante seus 50 e início dos 60 anos, revelou um novo estudo.

Chamadas de substâncias químicas eternas devido aos anos que levam para se decompor, as substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas estão presentes no sangue de aproximadamente 98% dos americanos, de acordo com as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina.

O envelhecimento epigenético — uma medida da idade biológica em vez da idade cronológica — estava mais avançado em homens, segundo o estudo.

“As associações entre a exposição aos PFAS e o envelhecimento epigenético acelerado foram mais fortes em homens com idade entre 50 e 65 anos”, disse o autor sênior do estudo, Xiangwei Li, professor de epidemiologia da Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, China, em um e-mail.

“Em homens mais jovens e naqueles com mais de 65 anos, as relações eram mais fracas e geralmente não estatisticamente significativas”, disse Li. “Observamos algumas associações em mulheres, mas elas eram geralmente menores e menos consistentes do que as observadas em homens de meia-idade.”

Os resultados indicam um “efeito específico ao sexo” que pode ser esperado para produtos químicos que perturbam o sistema endócrino, uma rede vital que regula funções corporais importantes como crescimento, metabolismo, humor e reprodução, disse Jane Muncke, diretora-executiva e diretora científica do Food Packaging Forum, que não esteve envolvida no estudo.

O fórum é uma fundação sem fins lucrativos com sede em Zurique, Suíça, que se concentra na comunicação científica e pesquisa sobre plásticos e outros produtos químicos usados na indústria.

Nos homens, o acúmulo dessas substâncias pode diminuir os níveis de testosterona, prejudicar a qualidade do esperma e aumentar os riscos de cânceres testiculares e renais.

Estudos anteriores mostram que as mulheres parecem eliminar certos PFAS mais rapidamente do que os homens devido à gravidez, amamentação e perda de sangue menstrual

Estudos também descobriram que a diferença na acumulação dessas substâncias entre mulheres e homens diminui após a menopausa.

Embora os resultados do novo estudo sejam interessantes, eles “não podem ser interpretados como causa e efeito, mas sim como peças de um quebra-cabeça, ou blocos de construção, para estabelecer plausibilidade biológica”, disse Muncke em um e-mail.

O American Chemistry Council, que representa a indústria, disse à CNN que o estudo “exploratório” foi baseado em uma pequena amostra de adultos mais velhos usando dados coletados há mais de 20 anos.

“Este artigo não fornece evidências de que a exposição causa envelhecimento, nem altera o extenso conjunto de trabalhos científicos e regulatórios já em andamento para compreender e gerenciar PFAS específicos de potencial preocupação”, disse Tom Flanagin, diretor sênior de comunicações do conselho, em um e-mail.

Usando um relógio biológico

O estudo, publicado nesta quinta-feira (26) na revista Frontiers in Aging, utilizou dados públicos de um grupo aleatoriamente escolhido de 326 mulheres e homens mais velhos inscritos em 1999 e 2000 no US National Health and Nutrition Examination Survey.

Amostras de sangue coletadas na época foram examinadas para verificar a presença de 11 tipos de produtos químicos PFAS. O metiloma do DNA — um marcador epigenético que regula a expressão gênica — também foi medido nas células sanguíneas dos participantes.

Para este estudo, os pesquisadores inseriram esses dados de DNA em uma dúzia de “relógios epigenéticos”, também conhecidos como relógios biológicos, para estimar o envelhecimento do sangue e outros tecidos nos participantes.

Os perigos dos PFAS

Usados desde os anos 1950 para tornar produtos de consumo antiaderentes, repelentes a óleo e água e resistentes a mudanças de temperatura, os produtos químicos estudados foram relacionados a graves problemas de saúde, incluindo câncer, problemas de fertilidade, colesterol alto, desregulação hormonal, danos ao fígado, obesidade e doença da tireoide.

Os perigos dos chamados PFAS legados, como o ácido perfluorooctanossulfônico, ou PFOS, ácido perfluorooctanoico, ou PFOA, e perfluoro-hexano sulfonato, ou PFHxS, são tão conhecidos que foram alvos de eliminação mundial sob a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes de 2001, um tratado global que reduziria produtos químicos tóxicos que se bioacumulam em organismos e no meio ambiente

Os Estados Unidos assinaram o tratado, mas não o ratificaram.

Sob a administração Biden, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA planejava impor diretrizes mais rigorosas sobre os níveis de PFAS legados, incluindo classificá-los como “substâncias perigosas” sob a lei americana Superfund. No entanto, esses planos foram revertidos ou adiados sob a administração Trump.

A indústria química criou muitas outras formas dessas substâncias que não foram tão amplamente estudadas. Essas substâncias químicas podem ter os mesmos impactos biológicos que o resto da família — e foi isso que o novo estudo descobriu, disse Li.

“Nossos resultados sugerem que alguns PFAS menos estudados — especificamente o ácido perfluorononanoico (PFNA) e a perfluorooctanossulfonamida (PFOSA) — também podem ter associações biologicamente significativas”, disse Li.

De fato, o estudo descobriu que concentrações mais altas de PFNA e PFOSA foram fortes indicadores de envelhecimento epigenético mais rápido em homens entre 50 e 64 anos de idade, mas não em mulheres.

Apesar dessas descobertas, “é importante não entrar em pânico”, disse Li. “Nosso estudo mostra associações, não prova de causalidade. A exposição aos PFAS é generalizada, e evitá-la completamente é irrealista.”

“No entanto, reduzir a exposição quando possível — como usar filtros de água certificados, seguir avisos locais sobre água e minimizar o contato com materiais resistentes a manchas ou gordura — podem ser medidas razoáveis”, acrescentou.

“Ao mesmo tempo, a redução significativa de riscos depende em grande parte da ação regulatória e da limpeza ambiental, já que muitas exposições ocorrem no nível comunitário.”

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