Para muitas pessoas com Parkinson, os medicamentos controlam bem os sintomas por anos. Mas em fases mais avançadas da doença, quando o efeito das medicações se torna instável, a neurocirurgia funcional pode representar uma alternativa segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida.
A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico progressivo que afeta o controle dos movimentos. Tremores, rigidez muscular, lentidão para se movimentar e alterações no equilíbrio são alguns dos sintomas mais conhecidos. O tratamento inicial baseia-se principalmente em medicamentos que ajudam a compensar a redução da dopamina no cérebro.
Porém, com o passar do tempo, alguns pacientes apresentam oscilações importantes no efeito das medicações. Surgem períodos em que o remédio funciona bem e outros em que os sintomas voltam de forma intensa. Movimentos involuntários também podem aparecer como efeito do tratamento prolongado.
Nessas situações, a cirurgia pode ser considerada como uma opção terapêutica.
Quando a cirurgia torna-se uma alternativa
A cirurgia para Parkinson não é indicada para todos os pacientes. O procedimento costuma ser considerado quando os sintomas motores permanecem incapacitantes apesar do tratamento medicamentoso otimizado ou quando as oscilações motoras passam a interferir de forma significativa nas atividades do dia a dia.
Antes da indicação cirúrgica, é necessária uma avaliação criteriosa conduzida por uma equipe especializada. Nesse processo, são analisados fatores como o tempo de evolução da doença, a resposta prévia aos medicamentos, a presença de sintomas cognitivos e as condições gerais de saúde do paciente.
A seleção adequada do paciente é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.
Como funciona a neurocirurgia funcional
O procedimento mais utilizado atualmente é a estimulação cerebral profunda, conhecida pela sigla em inglês DBS (Deep Brain Stimulation). Nessa técnica, eletrodos finos são implantados em regiões específicas do cérebro que participam do controle dos movimentos.
Esses eletrodos são conectados a um pequeno gerador implantado sob a pele, semelhante a um marcapasso. O dispositivo envia estímulos elétricos controlados que ajudam a regular a atividade dessas áreas cerebrais.
Diversos estudos demonstram que a técnica pode reduzir tremores, melhorar a rigidez e diminuir as oscilações motoras em pacientes selecionados. Em muitos casos, também permite a redução da dose de medicamentos.
É importante destacar que a cirurgia não cura o Parkinson, mas pode melhorar significativamente os sintomas motores e proporcionar maior autonomia ao paciente.
Preconceito e dificuldade de acesso
Apesar dos avanços científicos e dos resultados positivos, a cirurgia para Parkinson ainda enfrenta barreiras importantes. Muitos pacientes e familiares desconhecem a possibilidade do procedimento ou acreditam que se trata de uma intervenção muito arriscada.
Outro obstáculo é o acesso. A neurocirurgia funcional exige centros especializados, equipe multidisciplinar e tecnologia avançada, o que limita sua disponibilidade em muitas regiões.
Essa combinação de desconhecimento e escassez de serviços faz com que pacientes que poderiam se beneficiar da cirurgia continuem convivendo com limitações importantes.
A decisão sobre o tratamento do Parkinson deve sempre ser individualizada e discutida com equipe médica experiente. Para pacientes selecionados, a cirurgia pode representar não apenas um controle mais eficaz dos sintomas, mas também uma nova oportunidade de recuperar autonomia e qualidade de vida.
*Texto escrito pelo neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida (CRM/SP 150620 | RQE 66640), membro da Brazil Health

