2 março, 2026
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Impacto do frio extremo no corpo causa riscos de congelamento e hipotermia

As recentes tempestades de inverno que atingem os Estados Unidos causaram não só transtornos logísticos, com aeroportos paralisados, milhares de voos cancelados e acúmulo de neve, mas também podem trazer riscos diretos à saúde.

Quando a temperatura cai a níveis negativos, como em Nova York, que chegou a registrar – 14ºC em fevereiro, o corpo ativa respostas de defesa que, se a exposição for prolongada ou sem proteção adequada, podem desenvolver quadros graves.

Ao ser exposto ao frio intenso, o organismo constrói prioridade para manter a temperatura do tronco e dos órgãos vitais. “O corpo contrai a circulação na periferia para preservar a parte central”, afirma o clínico-geral e geriatra Paulo Camiz.

Esse mecanismo reduz o fluxo sanguíneo nas extremidades (mãos, pés, orelhas e nariz) e causa sintomas iniciais como dor, formigamento e tremores, reflexo da contração muscular que tenta gerar calor, segundo o professor da USP (Universidade de São Paulo) e membro do corpo clínico do hospital Sirio-Libanês.

O especialista afirma que, com o tempo, a perda de sensibilidade pode evoluir para lesões mais severas, como o congelamento tecidual, com risco de necrose nas áreas mais expostas.

Camiz diz que as lesões por congelamento variam de grau, de dormência e mudança de coloração até perda definitiva de tecido, e que a prevenção passa por cobrir bem as extremidades, evitar exposição prolongada e procurar atendimento médico ao primeiro sinal de pele pálida, dura ou insensível.

Hipotermia: quando o corpo “desliga”

Além dos danos locais, o frio extremo pode causar efeitos sistêmicos. Se a queda de temperatura for generalizada, o corpo corre risco de hipotermia, que é redução perigosa da temperatura central.

Camiz descreve sinais de alerta: confusão mental, sonolência, desaceleração do batimento cardíaco e, em casos graves, insuficiência respiratória e parada cardíaca.

O médico diz que mesmo pessoas aparentemente bem agasalhadas podem progredir para hipotermia se a exposição for longa, especialmente idosos e portadores de doenças crônicas.

O ar frio e seco traz ainda problemas às vias respiratórias. Segundo Camiz, a inalação de ar gelado pode desencadear crises em quem tem rinite ou asma e reduzir a eficiência na eliminação do muco, o que favorece sensação de obstrução e, em alguns casos, infecções locais.

Ele lembra também que a respiração mais rápida no frio aumenta a perda de água, contribuindo para a desidratação. “Mesmo achando que está coberto, você pode se desidratar. Então, hidrate‑se mesmo no frio”, recomenda Camiz, que reforça a importância de manter ingestão adequada de líquidos e calorias para sustentar a produção de calor do corpo.

Mente congelada

O impacto do frio não é só físico: afeta a saúde mental. O psicólogo e neurocientista Yuri Busin, fundador do Grupo Yuri Busin e do Método PRO, afirma que a redução da exposição à luz solar em dias curtos diminui a produção de neurotransmissores como dopamina e serotonina, o que pode agravar sintomas de depressão, apatia e ansiedade.

“O confinamento forçado por tempestades também tende a aumentar sentimentos de incerteza, solidão e medo. É importante adotar estratégias concretas para preservar a saúde mental durante esses episódios.”

Para reduzir o impacto psicológico, Busin recomenda manter rotinas, buscar contato social por telefone ou vídeo, e tentar aumentar a exposição à luz, mesmo artificial, quando não for possível sair de casa.

Ele também orienta atenção especial a sinais de agravamento emocional e procura por apoio profissional quando necessário.

Grupos mais vulneráveis

De acordo com os especialistas, estão em maior risco idosos, crianças, pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias, diabéticos e quem vive em situação de rua ou em moradia inadequada.

Camiz acrescenta que o uso de álcool e de certos medicamentos pode prejudicar a termorregulação e aumentar o risco de hipotermia.

Orientações práticas

  • Agasalhe‑se em camadas: roupa térmica por baixo (segunda pele), isolante no meio e proteção externa contra vento e umidade; use luvas, gorro e botas impermeáveis;
  • Proteja extremidades: mãos, pés, nariz e orelhas são as primeiras a sofrer; verifique sensibilidade frequentemente e troque meias/luvas molhadas;
  • Evite exposição prolongada: faça pausas em ambientes aquecidos para reduzir risco de congelamento e hipotermia;
  • Hidrate‑se e alimente‑se bem: manter hidratação e energia é essencial para a termogênese;
  • Cuide da saúde mental: mantenha rotinas, preserve contatos sociais e aumente a exposição à luz quando possível;
  • Abrigos e serviços sociais: autoridades devem priorizar abrigo emergencial e checar condições de aquecimento para populações vulneráveis;
  • Quando procurar atendimento: procure atendimento de urgência se houver sinais de hipotermia (confusão, tremores que cessam, fala arrastada, sonolência) ou sinais de congelamento (pele pálida, dura, insensível, mudança de cor). Em caso de piora respiratória, dor torácica ou alterações cognitivas, busque socorro imediato.

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