A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) flagrou um dos suspeitos de fingir ser deputado para aplicar golpes virtuais tentando destruir provas em celulares usados por ele. O criminoso que, não teve o nome divulgado, está em regime semiaberto e usa tornozeleira eletrônica.
O flagrante ocorreu durante buscas realizadas nesta quinta-feira (26/2) em Goiânia durante a operação Falsa Tribuna.
O obtido pela coluna Na Mira mostra os policiais civis cumprindo mandado de busca e apreensão no apartamento do investigado. O homem utilizava vários celulares e chips e estava ligando para uma pessoa, quando foi interrompido pelos policiais.
O homem está em regime semiaberto por estar cumprindo uma condenação de 21 anos por roubo e apesar de ter sido flagrado destruindo provas. A PCDF solicitou à Justiça a expedição de um mandado de prisão temporária contra o suspeito.
O suspeito é investigado por ser membro de uma organização criminosa especializada em golpes virtuais praticados com o uso perfis falsos de deputados e ex-deputados que moram em Brasília. O homem é apontado por ser um “gerente” da organização, responsável por entrar em contato com as vítimas dos golpes.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (26/2), em Goiânia quando foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Conforme a investigação, os golpistas enganavam e pediam transferências por Pix para as vítimas.
A ação foi coordenada pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (DCV/CORF), com apoio operacional da Delegacia Especial de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás (PCGO).
Esquema criminoso
Segundo os investigadores, os dois suspeitos estão envolvidos na associação criminosa, ramificada em diferentes células e composta por outros integrantes. De acordo com a PCDF, o uso da identidade de autoridades públicas conferia credibilidade à fraude, aumentando o poder de persuasão dos criminosos e levando vítimas a efetuar pagamentos sem verificar a autenticidade do pedido.
As investigações revelaram que o grupo criminoso é especializado em fraudes eletrônicas, estelionato e lavagem de capitais, usando perfis fake de pessoas conhecidas das vítimas e figuras públicas de autoridade. Para tanto, os golpistas dominaram técnicas de falsificação de identidades virtuais, criação de contas falsas de e-mail, perfis em redes sociais e números de aplicativos de mensagens.
Como funcionava
- Os criminosos criavam perfis em aplicativos de mensagens e redes sociais, utilizando indevidamente imagens e informações públicas de parlamentares.
- A partir das contas fraudulentas, entravam em contato com vítimas, simulando tratar-se de familiares em situação de urgência, como emergências médicas ou acidentes.
- Para concluir o golpe, solicitavam transferências financeiras imediatas, especialmente por meio de Pix.
- No cumprimento dos mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário do DF, foram apreendidos celulares e outros materiais, os quais serão submetidos a perícia técnica para aprofundamento da investigação.
Até o momento, os elementos colhidos indicam a prática dos crimes de falsa identidade (art. 307, caput, do CP) e estelionato mediante fraude eletrônica (art. 171, § 2º-A, do CP), além de eventual crime de lavagem de capitais (art. 1° da Lei 9.613/1998) bem como associação criminosa (288 do CP). Somadas, as penas podem ultrapassar a 20 anos de reclusão.
A PCDF alerta que a população deve sempre confirmar a veracidade de pedidos de ajuda financeira antes de realizar qualquer transferência, especialmente quando ocorrer em ambiente virtual ou sob a justificativa de urgência. justificativa de urgência.
Falsa Tribuna
O nome “Falsa Tribuna” foi escolhido para a operação em razão da maneira astuta como os criminosos utilizaram perfis falsos de autoridades públicas, como deputados e ex-deputados, para enganar e fraudar vítimas.
A palavra “tribuna” remete ao espaço onde figuras públicas, especialmente parlamentares, exercem sua autoridade e influência, conferindo-lhes credibilidade e poder de persuasão. Ao usurparem essas identidades, os golpistas se apropriaram da confiança natural que a sociedade deposita nas figuras públicas, tornando mais eficazes seus golpes, especialmente ao solicitar transferências financeiras em situações de emergência.
O termo “falsa” reflete a fraude em si, onde a identidade pública é falseada para enganar as vítimas. Assim, o nome da operação faz alusão direta à falsificação das identidades de figuras políticas para cometer crimes virtuais e golpes financeiros.

