13 maio, 2026
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a cloaca do nosso capitalismo e do ódio de classe

Vamos lá. Lula pôs fim à chamada “taxa das blusinhas” e ganhou, ora vejam!, mesmo que de maneira um tanto irônica, os “parabéns” de Flávio Bolsonaro, ainda que este tenha apontado o “interesse eleitoreiro” do presidente da República. Ai, ai…

Poderia até ser um conflito de inimizades maiúsculas, do “amor da conciliação impossível”, também chamado de “ódio genuíno”, como no filme “Os Duelistas”, um dos grandes de Ridley Scott, com interpretações magistrais de Keith Carradine (A0rmand d’Hubert), e Harvey Keitel (Gabriel Feraud). Sim, queridas, “querides” e queridos: a exemplo da música de Tom (seu avô materno se fez em Dois Córregos…), “há sempre uma canção para contar”… Ou um livro. Ou um filme. Ou até a vida do vizinho. Nota à margem: ódio é sempre um copo de veneno que se toma esperando que o outro morra. Se maiúsculo na origem, é admiração recolhida malparada; se mesquinho, é só ressentimento. Segue o jogo.

O duelo com a extrema direita no Brasil não é fácil nem difícil do ponto de vista teórico. É apenas inútil. Eu mesmo escrevi mais de uma vez que a “taxa das blusinhas”, do ponto de vista econômico, até fazia sentido porque, ainda que na margem, poderia concorrer para proteger empregos no Brasil. E agregava alguns caraminguás à arrecadação. Quase nada.

Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, defendeu a taxação: além dos ditos caraminguás, argumentou em favor da produção nacional etc. e tal. O “lobby” do setor atuou firme, e o troço acabou saindo na forma de um chamado “jabuti”. Entrou de contrabando no Projeto de Lei 914/24 — que tratava do Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), com incentivos fiscais para a indústria automotiva sustentável. No curso da tramitação na Câmara, a taxação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi inserida no texto por pressão do varejo nacional. Acabou aprovada no Senado por votação simbólica e sancionada por Lula.

Nota: a direita, que nunca quer brigar com os tubarões, ficou quietinha. Mas a sanção coube ao presidente da República. No dia seguinte, a extrema direita “à moda Nikolas” — esta que aparece associada a pés de chinelo — estava dando porrada em Lula. Pergunta rápida: a dita “indústria nacional” apareceu para defender o governo ou o presidente? Ora, é claro que não! Querem um emblema de como são as coisas na vida real? Flávio Roscoe, ex-presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), agora filiado ao PL, tenta se firmar como o candidato de Flávio ao governo do Estado.

Não é curioso?
1: o empresariado nacional nunca teve um presidente que lhe fosse tão amigável como Lula — e o programa NIB (Nova Indústria Brasil), comandado por Geraldo Alckmin, não me deixa mentir. Estou a falar de um programa de R$ 330 bilhões;
2: o mercado financeiro, especialmente os bancos, nunca teve um presidente como Lula; um outro talvez tivesse pedido para o BC e a PF postergarem o aluvião Master;
3: o agro nunca teve um presidente como Lula, e os recordes do Plano Safra não me deixam mentir.

E, no entanto, vamos ser claros? O candidato das elites — o Brasil desafia a etimologia porque, por aqui, estas representam uma seleção dos piores — é Flávio Bolsonaro, aquele que promete a seus apoiadores uma crise institucional por dia.

Lula tem, sim, um tantinho do pé esquerdo no nacional-desenvolvimentismo. E não digo isso em tom jocoso. Ocorre que parte considerável do empresariado nacional nem sabe direito o que é bom para si. É capaz, como faz o agro, de ter simpatias por candidatos que têm uma visão hostil a seus próprios interesses: nesse particular, é na animosidade com a China. É um flerte energúmeno. No caso das “blusinhas”, Lula acabou contrariando a sua própria inclinação e cedendo a conselheiros e não vetou a taxa. Mas parte importante dos eventuais beneficiados foi tocar flauta para os reacionários.

O conjunto da obra, em suma, expõe a cloaca da formação intelectual e política de parte importante da — já sabemos que o termo merece reparos — “elite brasileira”. Lula é, sim, o melhor presidente que os empresários já tiveram, que os banqueiros já tiveram e que os produtores rurais já tiveram. Mas os valentes não votam nele nem a pau. Quem o elege é o povo que paga a taxa extra “das blusinhas”. Aqueles bacanas podem até dar tiro no próprio pé e escolher um reaça babão. E que consideram uma humilhação ter como presidente um ex-operário, um pernambucano, um “nove-dedos”. Se reeleito, que o presidente jamais perca da vista quem o elege e quem sabota o seu governo. A “taxa das blusinhas”, em suma, é um emblema do capitalismo brasileiro e do ódio de classe.

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