16 abril, 2026
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Sabrina Carpenter Lollapalooza | Como foi o show? Show foi bom?

Sabrina Carpenter no Lollapalooza 2026 (Reprodução)

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Sabrina Carpenter no Lollapalooza 2026 (Reprodução)

Eu sempre tive uma intuição. Quando Sabrina Carpenter estourou nas paradas com sua “Espresso” e, em seguida, lançou Short N’ Sweet, a “nova loirinha” foi saudada pela mídia musical de uma miríade de maneiras diferentes: como a história de sucesso essencial do show business, que trabalhou duro por anos antes de ser recompensada; como a jovem sem papas na língua que chegou para devolver o atrevimento ao cenário ocidental… como tudo, enfim, menos uma artista pop.

O show de Carpenter no Lollapalooza Brasil 2026, que rolou na noite dessa sexta-feira (20) diante de um público que arrisca bater o recorde estabelecido por Miley Cyrus quatro anos atrás, prova que fizemos um desserviço a ela. De fato, o espetáculo trazido pela cantora para o Autódromo de Interlagos, azeitado por anos de turnê ao redor do mundo, é um argumento forte para Carpenter como a artista pop mais singularmente dedicada ao gênero da atualidade.

Estruturada a partir de um dispositivo narrativo simples (um programa de variedades no estilo que era popular na TV dos EUA até algumas décadas atrás), a performance se desenrola em um cenário elaborado de plataformas e andaimes, e Carpenter quase nunca está no palco sem sua trupe numerosa de dançarinos, bem ensaiados em uma coreografia que mistura de forma esperta o musical teatral e o clube de strippers. A iluminação colorida domina esse palco gigante de forma intransigente – rosa choque ou azul céu, vermelho aveludado ou amarelo solar.

No meio desse banho de neon, Carpenter surge como musa de clipe pop oitentista. Para este que vos fala, foi o solo no meio de “Tears” que virou a chave: diante de um ventilador que faz seu cabelo voar como fios de algodão doce contra a luz que bate nas suas costas, a cantora posa e vira, vira e posa. Carpenter estava “vamping“, em bom inglês – como se estivesse em um editorial da Vogue dirugido pelo fotógrafo mais quente de 1986. Ela quer ser Olivia Newton-John, Agnetha Fältskog, Paula AbdulCindy Crawford, todas enroladas numa só.

Mas o respeito utópico pela estética popstar da época em que ela atingiu o seu pináculo, importantemente, transborda para um respeito pela música pop em tudo o que a define. Nos álbuns já era possível ouvir o quanto Carpenter amava os ganchos melódicos culturalmente elásticos do ABBA (“Juno”, sempre a melhor de qualquer setlist), as subidas e descidas harmônicas da new wave (“House Tour” é toda baseada nelas), a delicadeza de passear a linha tênue entre country e pop que divas da linhagem Dolly Parton dominam (vide “Slim Pickins”)… no espetáculo ao vivo, esse amor toma o centro absoluto do palco.

Comparada às suas colegas popstar, Carpenter pàra pouco o show para falar, e quando fala é da sua maneira meio avoada, como se estivesse ansiosa para retornar para o que importa, onde ela realmente pode ser divertida e se divertir: na música. O resultado é um show que não é sobre ela (como o de Demi Lovato, para dar apenas um de muitos exemplos), nem sobre você (como o do Coldplay). É sobre o pop, e todas a delícias que ele pode prover.

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